Tocar na igreja é uma das formas mais práticas de exercitar a leitura à primeira vista, o improviso, a transposição e tantos outros aspectos da execuçãomusical em tempo real. Isso porque normalmente o pianista de igreja recebe a música na semana ou no dia de apresentação. Muitas vezes alguns solistas entregam a música na hora da cerimônia ou o dirigente da programação pede de última hora uma música para um determinado momento. São situações que trazem uma formação empírica fazendo com que o pianista se sinta confortável em atuar na área de correpetição.
O improviso é a principal arma do pianista ou tecladista de igreja. Sejam nos hinos, cânticos, corinhos, hinos. Não importa o que ele esteja tocando, a liberdade de criação é o grande condutor. Olhando um instrumentista já com certa maturidade tocando músicas à primeira vista com um bom nível de qualidade, vale lembrar que não é da noite pro dia que se adquire tal repertório de possibilidades para o improviso. É preciso ouvir exemplos, experimentar combinações e copiar diversos estilos para criar diversas soluções possíveis para diferentes situações, treinar, estudar, ouvir e ver outros instrumentistas.
É inegável que o músico que vem de igreja tem uma certa facilidade quando se trata de prática de conjunto e correpetição, afinal tudo o que ele faz na igreja é baseado na integração de um conjunto. A visão de conjunto e a capacidade de se poder ouvir de dentro do conjunto como se estivesse sendo ouvido de fora é uma prática constante. Atuando junto com solista, instrumentos, bandas, de forma solo e como música ambiente, toda a referência de controle sonoro, afinação e inteligibilidade esta em constante formação. É uma pena registrar que com o declínio do zelo com a qualidade da música dentro da igreja os músicos tem se voltado para o simples copiar e quando nos limitamos a copiar a sensibilidade artística é deixada de lado.
Normalmente o repertório da igreja não tem níveis crescentes de desafio. Com exceção do repertório que possa vir do coral ou de algum outro conjunto vocal mais elaborado, todas as outras músicas têm uma leitura de fácil assimilação. As músicas de hinários são bons exercícios de leitura e estudo harmônico, a constante necessidade de momentos instrumentais e a correpetição coral fazem com que os três aspectos de leitura e memorização (visão, audição e tato) amadureçam. Nessa prática, a leitura à primeira vista se desenvolve de forma natural, precisando apenas de alguns cuidados quanto a dedilhado, postura e qualidade sonora.
Aprender se torna muito mais fácil quando incluímos em um contexto cotidiano a nova informação, por exemplo: prática de leitura à primeira vista utilizando hinário, criação de improviso para um cântico determinado, estudo de dinâmicas no ensaio do conjunto de louvor, escrita (mesmo que parcial) de passagens de: solos, introduções, passagens e assim por diante. São diferentes aspectos técnicos da música que podem estar sendo aperfeiçoados e assim criando um hábito de constante evolução da prática musical na igreja.